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 A Vermicompostagem O Húmus  A Minhoca 


A Vermicompostagem

A Vermicompostagem pode ser definida como "A transformação biológica de residuos orgânicos, levada maioritariamente a cabo por minhocas detritivoras resultando dessa transformação o húmus ou vermicomposto".

No entanto, esta definição carece, em certa medida, de utilizações práticas. Assim sendo, vermicompostagem é um sistema de reciclagem de matéria orgânica onde os restos de cozinha, resíduos de jardim, estrumes, papel e cartão são digeridos por minhocas e excretados sobre a forma de vermicomposto, um fertilizante e condicionador dos solos 100% natural.

Compostagem Natural VS Vermicompostagem

O processo de decomposição dos restos orgânicos animais e vegetais em húmus levado a cabo pela Natureza conta maioritariamente com a acção da microfauna presente no solo. É um processo lento onde todas as folhas e restos de madeira que caem das árvores, juntamente com os corpos de animais mortos e excrementos de animais vivos, são gradualmente decompostos e transformados numa matéria escura e uniforme - o húmus natural.

Uma forma prática de acelerar este processo natural de compostagem consiste na inoculação dos restos orgânicos a decompor com minhocas detritivoras, preferencialmente da espécie Eisenia Fetida vulgarmente conhecida como minhoca vermelha ou minhoca do estrume. Podemos pensar em cada uma destas minhocas como uma pequena central de decomposição que consome diariamente o equivalente ao seu peso em matéria orgânica. Em condições óptimas, um quilograma de minhocas consome diariamente um quilograma de matéria orgânica.

A grande vantagem da vermicompostagem em relação à compostagem tradicional (sem o recurso a minhocas) é a de que pode ser feita em grande escala, mas é mais fácil ainda quando utilizada em pequena escala, permitindo a um agregado familiar de qualquer tamanho valorizar e reutilizar até dois terços do seu lixo doméstico diário sem qualquer dificuldade, de uma forma económica, higiénica e divertida!


O Húmus

Se já sentiu o cheiro a "terra molhada" logo após as primeiras chuvas então pode dizer que já conhece o húmus!

O húmus seja ele produzido pela Natureza ou pelas nossas minhocas cumpre diversas funções quando aplicado nas plantas:

  • É um produto natural, produzido biologicamente e que não agride o meio ambiente, ajudando a manter o equilíbrio na microfauna dos solos.
  • É um condicionante das propriedades físicas, químicas e biológicas dos solos, cumprindo um papel fundamental na recuperação destes quando degradados. 
  • É uma fonte completa de nutrientes para as plantas, especialmente de N, P, K, Ca, Mg e ácidos húmicos que cumprem um papel duplo: actuam como condicionadores do solo mantendo o seu PH dentro de valores óptimos; e funcionam como hormonas de crescimento semelhantes às encontradas em algumas algas marinhas. 
  • Impede a compactação de solos argilosos e promove a agregação de solos arenosos. 
  • Regula a capacidade de retenção de nutrientes e água dos solos. 
  • Optimiza a velocidade de absorção dos nutrientes de acordo com as necessidades da planta. A sobredosagem nunca acontece porque a planta retira apenas o que precisa e não mais como acontece com os fertilizantes químicos convencionais.
  • Diluído em água funciona como um adubo foliar suave além de ser um preventivo eficaz para mais de 200 pragas agrícolas (insectos, bactérias, fungos e nematodos) 
O Húmus ao Microscópio

A digestão da minhoca actua sobre a matéria orgânica através de processos químicos e físicos complexos que podem ser resumidos da seguinte forma: 
  • Os constituintes químicos da matéria orgânica são convertidos em nutrientes assimiláveis pelas plantas. 
  • A microfauna presente no interior da minhoca é inoculada no húmus. Esta microfauna é a grande mais-valia do vermicomposto já que é ela que vai possibilitar as trocas moleculares entre a planta e o substrato bem como aumentar as defesas naturais da planta a algumas pragas e doenças. 
  • Sendo o volume da matéria excretada pela minhoca muito inferior ao ingerido, dá-se um aumento acentuado da concentração por volume de cada um dos nutrientes. 
Análise Quimica

Parâmetro  

pH

6.8

EC

11.7 mS/cm

N (Total) / N (Nitratos)*

1.94 % / 902.2 ppm

P

0.47 %

K

 0.7 %

Calcio

 4.4 %

Sódio

 0.02 %

Magnésio

 0.46 %

Ferro

7563 ppm 

Zinco

278 ppm

Manganês

 475 ppm

Cobre

 27 ppm

Boro

34 ppm

Aluminio

7012 ppm


ppm = partes por milhão
mS = milisiemens
EC = Condutividade Eléctrica, mede a salinidade relativa ou seja, a quantidade de sais soluveis presentes na amostra.
N (Nitratos) = Quantidade de azoto imediatamente assimilável

Tendo em conta que é um produto de origem biológica, duas amostras do mesmo húmus quando submetidas a uma análise química e biológica terão, necessariamente, resultados diferentes. É um facto inerente à própria vermicompostagem e depende apenas do tipo e quantidade de matéria orgânica utilizada.


Utilizar o Húmus

Existem diversas formas de utilizar o húmus. Pode ser puro ou misturado com areia ou turfa para encher vasos e tabuleiros de germinação; espalhado por cima do solo em plantas, árvores e arbustos; diluído em água para rega ou pulverização.

Não são necessárias grandes quantidades de húmus e nunca há o risco de sobredosagem. Por ter um PH neutro, não queima, não envenena nem apodrece as plantas.


A Minhoca




"É pouco provável que algum animal tenha desempenhado um papel tão importante na história do nosso planeta como o destas pequenas criaturas."

Charles Darwin

As minhocas terrestres fazem parte de um grande grupo de animais invertebrados: os anelídeos

Com cerca de 4000 espécies espalhadas por todo o planeta são provavelmente um dos animais mais antigos, existindo registos fósseis com cerca de 500 milhões de anos.

São também dos que melhor se adaptaram a quase todas as condições climatéricas existentes no nosso planeta. Exceptuando as zonas polares e os desertos, essencialmente devido às temperaturas extremas e à ausência de humidade nestas regiões, toda a restante superfície terrestre serve de habitat a uma ou mais espécies de minhocas.

Existem dois grandes grupos de minhocas terrestres: minhocas geofagas e minhocas detritivoras.

As minhocas geofagas escavam túneis que podem atingir 8 metros de profundidade, alimentando-se de pequenos restos de matéria orgânica e sais minerais presentes no solo. Por serem, regra geral, animais solitários são muito pouco prolíferas e, como tal, extremamente difíceis de criar em cativeiro. A espécie geofaga mais comum é a Lumbricus Terrestris mais conhecida como "minhoca da terra".

Mas são as minhocas detritivoras as grandes protagonistas da vermicompostagem.

Verdadeiras devoradoras de matéria orgânica, adaptaram-se ao meio hostil da decomposição e toleram facilmente as variações de acidez e temperatura típicas deste ambiente. Vivem quase exclusivamente nos primeiros 20 centímetros de solo e são extremamente prolíferas, multiplicando-se mais ou menos rapidamente de acordo com a abundância de comida.

Dentro das espécies de minhocas detritivoras existe uma que se destaca pela sua robustez e facilidade de criação - a minhoca Eisenia Fetida conhecida popularmente como "minhoca vermelha" ou "minhoca do estrume". Apesar do seu reduzido tamanho, quando comparada com outras espécies, esta minhoca consegue processar uma enorme variedade de materiais em tempo recorde.

Na BioJogral criamos exclusivamente minhocas Eisenia Fetida para vermicompostagem.
 

 
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